Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), defendeu uma regra de transição para beneficiários do Bolsa Família. A proposta busca permitir que as famílias deixem o programa ao encontrar trabalho ou abrir um negócio.
O Bolsa Família foi criado em outubro de 2003, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu programas sociais existentes. A discussão apresentada por Marques trata de caminhos para que beneficiários tenham oportunidades além da assistência.
Em entrevista à CBN Bahia em 19 de outubro de 2026, Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, falou sobre a proposta e o uso de ferramentas digitais para orientar os beneficiários. A declaração envolve famílias atendidas pelo programa e a equipe econômica da campanha de Flávio Bolsonaro.

Na mesma entrevista, Marques também comentou a escala 6×1, tema que relacionou à organização do trabalho e à manutenção de empregos. A Emenda Constitucional nº 141, promulgada em 16 de outubro de 2026, alterou a previsão de jornada semanal e descanso remunerado.
Transição do Bolsa Família e apoio à inserção no trabalho
Daniella Marques afirmou que a proposta prevê manter o pagamento do Bolsa Família por dois anos para que os beneficiários possam buscar emprego com carteira assinada ou abrir e formalizar uma empresa. Segundo ela, o período de transição permitiria que as famílias aumentassem a renda sem perder imediatamente o benefício ao conseguir uma oportunidade.
A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro defendeu que a assistência seja acompanhada de oportunidades para ampliar a renda familiar. Em entrevista à CBN Bahia, ela disse que o problema não é a transferência de renda, mas a falta de caminhos para que quem recebe o benefício possa construir uma condição financeira além da assistência.
Entre as medidas mencionadas por Marques estão o uso da internet e da inteligência artificial para orientar os beneficiários. A proposta inclui facilitar o acesso a cursos, informações sobre formalização como Microempreendedor Individual (MEI) e oportunidades de emprego.
Marques afirmou que a regra de transição foi trabalhada durante o governo de Jair Bolsonaro, quando João Roma era ministro e ela presidia a Caixa Econômica Federal. A ideia, segundo ela, era manter o benefício temporariamente para que a pessoa pudesse aceitar um emprego formal ou abrir um negócio sem receio de ficar sem renda de imediato.
Regras atuais, valores e orçamento do programa
O Bolsa Família reúne benefícios calculados conforme a composição da família. Pelas regras descritas na reportagem, o piso é de R$ 691 por família, sem um teto geral, e a composição inclui R$ 164 por pessoa, além de valores adicionais conforme a presença de crianças, gestantes, nutrizes ou adolescentes.
O adicional informado é de R$ 173 por criança de até seis anos. Há também pagamento de R$ 58 para gestante, nutriz, criança ou adolescente, conforme o caso; para ter acesso ao programa, a família precisa estar inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) e ter renda mensal de até R$ 218 por pessoa.
O Orçamento de 2026 aprovado pelo Congresso reservou cerca de R$ 156,6 bilhões para o programa. Esse montante correspondia a aproximadamente 58% do orçamento inicial do Ministério da Saúde no mesmo ano, de R$ 270,3 bilhões, e não incluía o reajuste de 15,04% concedido em setembro.
O reajuste acrescentou R$ 5,8 bilhões à projeção de despesas de 2026. Outra regra vigente é a proteção para famílias cuja renda por pessoa ultrapasse R$ 218: elas podem permanecer por até um ano recebendo metade do benefício, desde que a renda não passe de R$ 706 mensais e que o aumento seja decorrente de renda instável.
Posição de Daniella Marques sobre a escala 6×1 e as mudanças na jornada
Sobre a escala 6×1, Daniella Marques afirmou que a equipe não se opõe à proposta, mas criticou a forma como o debate é apresentado. Ela argumentou que, nas condições previstas, entidades produtivas consideram insustentável manter os empregos e defendeu que trabalhadores e empregadores tenham liberdade para negociar a organização da jornada e da remuneração.
A Emenda Constitucional nº 141 alterou o limite constitucional da jornada normal, que passou de 44 para 40 horas semanais, mantendo o máximo de oito horas diárias. O texto também passou a prever dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos.
A redução foi estabelecida em etapas: em 16 de dezembro de 2026, a jornada semanal passaria a 42 horas; em 16 de dezembro de 2027, chegaria a 40 horas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimou perda de R$ 76,7 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a cerca de 0,7% do patamar atual, enquanto o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) calculou aumento de 7,84% nos custos dos empregadores e apontou capacidade de absorção pelo setor produtivo.


