Câmara de SP aprova em definitivo projeto de autodeclaração para execução de obras

Câmara de SP aprova em definitivo projeto de autodeclaração para execução de obras

No dia 10 de dezembro de 2025, a Câmara Municipal de São Paulo tomou uma decisão significativa ao aprovar em segunda votação o projeto de lei que institui a autodeclaração para a execução de obras na cidade. Com 31 votos a favor e 13 contra, essa mudança legislativa busca modernizar a forma como as obras são licenciadas, promovendo maior rapidez e eficiência no processo de emissão de documentos necessários para a construção e reforma de imóveis públicos.

O projeto, de autoria do Executivo, foi debatido intensamente entre os parlamentares, que apresentaram tanto argumentos a favor quanto críticas à proposta. Com um contexto de crescimento contínuo da capital paulista, a autodeclaração surge como uma tentativa de desburocratizar o licenciamento edilício, um grande desafio enfrentado por empreendedores e cidadãos que desejam desenvolver projetos na metrópole.

Objetivos do projeto de autodeclaração

A proposta visa aprimorar o código de obras existente, promovendo uma “maior celeridade, modernização e segurança jurídica”. Isso é feito através da implementação da emissão eletrônica dos documentos necessários, como alvarás de aprovação e execução, certificados de conclusão e regularização. A ideia é tornar o processo menos moroso, substituindo etapas burocráticas por uma dinâmica mais ágil e acessível.

A expectativa é que, ao introduzir um sistema de autodeclaração, o número de obras regulares aumente, visto que muitos profissionais da área já lidam com a pressão do tempo e a complexidade das regras.

Argumentos a favor da autodeclaração

Durante a discussão do projeto, um dos principais defensores do novo modelo, o vereador Fabio Riva (MDB), ressaltou a importância da modernização, enfatizando que o projeto não ignora a necessidade de fiscalização e cumprimento da lei. Para ele, a proposta proporciona a agilidade necessária para atender a demanda crescente por novos empreendimentos em uma cidade que está constantemente em expansão.

Outros vereadores também apoiaram a medida, como Sansão Pereira (REPUBLICANOS), que lembrou que o sistema autodeclaratório já é utilizado em outras cidades do Brasil e no mundo, trazendo benefícios que podem ser replicados em São Paulo. O modelo, segundo Pereira, visa modernizar o licenciamento e substituir etapas lentas por processos eletrônicos declaratórios, tornando a administração pública mais eficiente.

Críticas e preocupações

No entanto, a proposta não foi unânime. Diversas vozes se levantaram contra a autodeclaração, expressando preocupações legítimas sobre os riscos que ela pode acarretar. A vereadora Janaina Paschoal (PL) expressou receios em relação à insegurança jurídica que o projeto poderia provocar. Para ela, a falta de uma fiscalização mais rigorosa poderia resultar em um aumento de obras irregulares, comprometendo a segurança das construções e, consequentemente, da população.

Outro crítico, o vereador Professor Toninho Vespoli (PSOL), apontou as lacunas presentes na proposta, sinalizando que a facilidade de autodeclaração sem supervisão poderia proporcionar um “liberar geral”, dificultando a fiscalização das obras. Esse cenário preocupa, uma vez que questões como segurança, integridade estrutural e respeito às normas urbanísticas são fundamentais para o desenvolvimento de uma cidade.

A estrutura do novo sistema

O novo modelo busca consolidar um quadro normativo que tenha uma resposta rápida e mais eficiente às necessidades dos cidadãos. A mudança inclui a digitalização de processos, o que promete não apenas uma economia de tempo, mas também a redução de custos operacionais relacionados ao licenciamento de obras. Com isso, a Câmara de São Paulo espera construir um ambiente mais favorável para a realização de negócios e a geração de empregos.

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O acesso ao sistema será facilitado pela implementação de plataformas digitais, onde os empreendedores poderão submeter suas declarações online e acompanhar o andamento de seus processos. Isso pode ser um grande passo rumo à inovação na gestão pública, abraçando a transformação digital como uma ferramenta poderosa para melhorar os serviços prestados à população.

Impacto no setor da construção civil

O setor da construção civil é um dos motores da economia e a aprovação do projeto de autodeclaração pode significar uma verdadeira revolução nas práticas atuais. A desburocratização tende a chamar a atenção de investidores, oferecendo um cenário mais promissor para novas empreitadas. Isso é especialmente relevante em uma cidade como São Paulo, onde a demanda por habitação e infraestrutura é constante e crescente.

Acredita-se que a facilidade proporcionada pela autodeclaração pode incentivar o surgimento de novos projetos, revitalizando áreas degradadas e promovendo um uso mais sustentável do solo urbano. Além disso, um processo de licenciamento mais ágil pode reduzir o tempo de espera para o início de obras, o que é fundamental em momentos de crescimento demográfico e urbanização acelerada.

A postura dos vereadores

A Câmara de São Paulo é composta por diversos vereadores que têm visões distintas sobre a gestão pública e o desenvolvimento urbano. Durante o debate, foi evidente a polarização entre os que defendem mais modernização e os que clamam por rigor e fiscalização. Essa dinâmica poderá influenciar outras decisões futuras e moldar as práticas legislativas relacionadas ao urbanismo na cidade.

Vale ressaltar que o impacto da autodeclaração na prática dependerá, em grande parte, da capacidade do governo municipal de implementar o sistema de forma eficaz e garantir a supervisão necessária para assegurar que as normas de segurança e qualidade sejam respeitadas.

FAQ sobre o projeto de autodeclaração da Câmara de SP

Como a autodeclaração vai funcionar na prática?

A autodeclaração permitirá que os empreendedores apresentem suas solicitações de alvarás e certidões diretamente em uma plataforma online, reduzindo etapas burocráticas.

Quais documentos serão necessários para a autodeclaração?

Os documentos específicos podem variar conforme o tipo de obra, mas incluirão informações detalhadas sobre o projeto, como plantas e estudos de impacto.

Há risco de aumento de obras irregulares?

Sim, essa é uma preocupação levantada por vários vereadores. A falta de supervisão pode levar a irregularidades, embora o projeto venha acompanhado de medidas para mitigá-las.

Como o governo pretende fiscalizar as obras?

O projeto prevê medidas, mas as especificidades sobre fiscalização ainda não foram completamente detalhadas. A eficácia da fiscalização será crucial para o sucesso da proposta.

A autodeclaração é uma prática comum em outras cidades brasileiras?

Sim, diversos municípios já adotaram modelos semelhantes, e os resultados variam conforme a implementação e a fiscalização.

Quais são os benefícios esperados com a autodeclaração?

Os benefícios incluem maior agilidade no processo de licenciamento, redução de custos e o estímulo a novos empreendimentos na cidade, o que pode gerar empregos e desenvolvimento econômico.

Conclusão

A aprovação do projeto de autodeclaração pela Câmara de São Paulo representa um passo significativo rumo à modernização da gestão pública e da construção civil na capital. Embora os desafios sejam muitos, as oportunidades trazidas por esse novo modelo não podem ser subestimadas. O sucesso dessa iniciativa dependerá, em última análise, da capacidade de implementação eficaz e do monitoramento rigoroso que assegure a integridade das obras e a segurança dos cidadãos.

Enquanto a cidade se adapta a essa nova realidade, a expectativa é que a combinação de tecnologia e um marco legal mais eficiente possa transformar o panorama urbano, trazendo benefícios tanto para os cidadãos quanto para o setor da construção civil.