O Jockey Clube de São Paulo anunciou planos para quitar sua dívida de IPTU e transformar parte de sua área em um parque público, em uma parceria com o banco BTG Pactual.
Parceria com o BTG Pactual
O Jockey Clube de São Paulo busca renovar sua situação financeira ao firmar uma parceria com o banco BTG Pactual, com a intenção de quitar uma dívida de IPTU que ultrapassa R$ 912 milhões. Essa dívida será paga por meio de um financiamento que permitirá ao clube seguir suas atividades e, ao mesmo tempo, transformar parte do espaço em um local de lazer público.
Os associados do clube aprovaram essa parceria em uma reunião recente. O BTG Pactual se comprometeu a financiar a quitação da dívida em troca do direito de construir um clube social privado no local. Além disso, a proposta inclui a criação de um parque público de 85 mil metros quadrados dentro do terreno do Jockey, que abrange cerca de 600 mil metros quadrados.

A iniciativa visa atender aos planos da gestão municipal de criar áreas de lazer para a população, uma ideia que está em andamento desde 2022. O presidente do Jockey, Vicente Renato Paolilo, garantiu durante a apresentação à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos grandes devedores que o clube vai solicitar adesão ao programa de regularização fiscal, com expectativa de obter até 90% de desconto na quitação da dívida.
O projeto de transformação do terreno
A área atualmente ocupada pelo Jockey Clube de São Paulo tem sido alvo de debates desde o anúncio da gestão Ricardo Nunes, que sugeriu a transformação do espaço em um parque. O plano é polêmico, uma vez que a proposta inicial previa que o Jockey fosse quase totalmente desativado, o que foi contestado por sua direção.
Com a nova proposta, apenas 14% do terreno seria destinado ao parque, enquanto o restante seria utilizado para as atividades do clube, incluindo corridas de cavalo. Partes do Jockey, como a pista e as arquibancadas, são tombadas e devem ser preservadas.
Os desafios financeiros enfrentados pelo Jockey Clube de São Paulo têm raízes em problemas estruturais e na diminuição do interesse pelo turfe nos últimos anos. O clube passou a ter dificuldades financeiras, resultando na redução de seu quadro de funcionários e na transferência de muitos cavalos para outras cidades. Essas questões foram exacerbadas quando a Justiça decidiu que o clube não poderia recorrer à recuperação judicial por ser uma associação civil sem fins lucrativos.
A transformação do espaço em parque requer que a prefeitura desaproprie o terreno e considere a sua valorização, que é complicada pelo fato de grande parte da área ser tombada e classificada como Zona Especial de Proteção Ambiental. A gestão atual, embora focada na transformação do Jockey em parque, deve avaliar cuidadosamente as necessidades e os direitos do clube, visando uma solução equilibrada que beneficie tanto a instituição quanto a comunidade.



